sábado, 20 de março de 2010

De um post comprado

Comprado com muita simpatia e bondade

ADVERTÊNCIA

A vida coloca em nosso caminho pessoas especiais, com as quais a gente vai trocando palavras e, quando menos se espera, a presença (ainda que meramente filosófica) desta pessoa torna-se quase que essencial nos nossos momentos de boemia virtual. Eu dificilmente consigo fazer algo em homenagem a alguem; minhas musas em geral não se sabem como tal, raramente lêem o que eu escrevo e, portanto os textos não podem ser considerados como homenagem. Embora possa ocorrer em concomitância, há certa diferença entre musa, amiga e amada, coisa que pode originar teses e discussões das quais me abstenho por ora. Mas uma mulher pode ser duas ou até as três coisas ao mesmo tempo, principalmente a um poeta anônimo e meia boca como eu... Mas isso não tem nada a ver com o que estamos a falar.
O que se segue é uma homenagem a uma dessas pessoas especiais, que com sua meiguice, beleza e simpatia conseguem inspirar qualquer poeta, inclusive os de pé-quebrado, como eu.

Dueto de Assovio ou Ode à Borboleta

A Ludimila Lopes


Virtualmente perto

Borboleta cor de rosa

Vem de sorriso aberto

E instauramos uma prosa


Ela assovia de lá

Não me faço de rogado

E assovio de cá

O dueto está formado


Dueto de assovio

E de filosofias

Essa menina bela

Sempre que vem desafia

Minha criatividade

Para conversar com ela

Tive de ser poliglota

Falando da realidade

(mas era tudo lorota)


Sem matéria pro talking

Ficamos falando de nada

Da bolsa de valores

Dos preços, da derrocada

Mas com essa moça junto

Mesmo sem ter assunto

A conversa é animada


Por enquanto, olhando de cá

Deste meu mundinho nulo

Ela parece perfeita

Só me resta perguntar

Se ela saiu do casulo

Ou se já nasceu borboleta.


Fernando Lago – 20 de Março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Um retrozinho ae...

Advertêcia:

Há já algum tempo que busco uma poesia meio antiga para fazer uma postagem meio retrô. Justifica-se assim, esta que segue. Mentira! Na verdade eu não tenho nada pra postar, tava passeando nos meus documentos e acabei achando essa, datada de pouco menos de um ano, que dizia algo que ainda vale, tanto para as mesmas circunstâncias da época como para outras novas que surgiram. Não costumo escrever por demanda, por isso não esperem de mim respostas a tudo o que me é perguntado e nem poesias de cunho "propagandiário", a não ser que eu queira mesmo fazê-lo. Não quero transformar o meu blog num panfletão destes que atacam defendendo e defendem atacando, em pelejas de cunho pessoal e sem o menor sentido; mas há momentos que só calar não resolve. Bom, não estou me fazendo entender, como sempre. Mas não há nada que entender! Fiquem apenas com a poesia. Adianto, ainda que estou preparando uma postagem. Esta, talvez, será uma das poucas que virá por uma demanda, porque são tantas as dúvidas sobre mim (dúvidas minhas, inclusive) que ela falará justamente sobre mim. Espero conseguir escrevê-la. Enfim, à poesia!


Não chores


Querida

Não chores assim

Queres que eu pense mal de mim?

Querida, eu sou teu amigo!

Queres que eu fique de mal comigo?


Se o amor bater na porta

E limpar-me das tristezas

Que eu carrego nas costas

Deixo com gratidão

E uma sincera presteza

Cuidares do meu coração


Mas assim,

Posso não!


Por favor, meu bem, não chores!

Espero que não ignores

O meu passado de dores

Por favor, meu ser implora

Este processo demora

‘Stou imune a amores


Me falta a inteligência

Falta-me sensibilidade

Eu quero sua amizade

Mas me rendo facilmente

A amores de outras moças


Não há pra mim indulgência

Meu coração é injusto

Com ele eu mesmo me assusto

Uma mania inerente

A uma alma que se esboça


Fernando Lago Santos – 20 de junho de 2009

domingo, 14 de março de 2010

Segue a Rima

Segue a rima

E diga que me estima

E mantém acesa a chama

Dizendo que me ama


Porque viver já não vivo

Só pensando em você

E se penso, logo existo

Mas desisto de viver

Se não consigo te ter


Toda essa baboseira

Toda essa palhaçada

É nada

Minha paixão é fogueira

E minha vida foi queimada

Pelo fogo que atiça

Quando passa em minha frente

E com um riso indiferente

Cê me enche de cobiça

E de um amor ardente


Você não tem pena de mim

Me olha, e me olhando me mata

Quem foi que te fez assim

Com esse dom psicopata

De matar com um olhar?


Fernando Lago Santos – Janeiro de 2009

quinta-feira, 11 de março de 2010

Festival de Horrores - O traço torto do NandoLago

Advertência:

De antemão aviso que não sei desenhar. Nunca soube e é provável que eu nunca vá saber.
Alguém dirá que fui machista demais e que quando era criança eu achava que desenhar era coisa de mulherzinha. Outros dirão que devido a esta minha dedicação quase exclusiva à leitura/escrita eu não tive tempo nem prática para aprimorar o traço. Outros dirão que não é minha praia e pronto. Cada um tem um talento e pronto. A pessoa é para o que nasce e pronto.

Eu, porém, desmentirei as três hipóteses.

Desenhei muito em menino. Muito mesmo. Quantitativamente, não qualitativamente. Desenhava mais que escrevia. E gostava de desenhar. Mas eu nunca soube mesmo. Nunca me preocupei em aprender traços, usar régua, essas parafernalha toda. Pra mim, desenhar e escrever são atos libertadores. E me sinto totalmente livre ao desenhar. Se fosse absurdista, não teria o menor problema em desenhar absurdos; e, na verdade, faço isso de vez em quando. Mas em geral meus desenhos são apenas absurdamente feios.

Enfim, se ainda assim vocês quiserem ver, estejam à vontade. Mas peguem leve com as críticas...

Fernando Lago Santos - 10 de Março de 2010





domingo, 7 de março de 2010

A não-filosofia da caneta


Há quem prefira lápis. Eu prefiro caneta.

A maioria das pessoas preferem lápis e usam explicações filosóficas para justificar essa preferência. Que o caminho percorrido pelo lápis pode ser refeito com o auxílio de uma borracha que o vai apagando. Eu prefiro caneta.

Dizem que o lápis precisa ser apontado frequentemente e que assim é a vida; que precisamos ser, de quando em vez, re-apontados para podermos funcionar direito. Mas eu prefiro caneta.

Não é por nada não. Eu poderia enumerar um bocado de coisas poético-filosóficas aqui e fazer vocês brilharem os olhos, abrirem as bocas, ou revirarem as tripas em agonia. Mas não quero. Só quero o meu direito de não preferir lápis sem ter que me transformar num Platão ou num Aristóteles para fazê-lo. Pode até ser que Platão e Aristóteles usassem um lápis. Mas eu prefiro caneta.

Sei que a caneta - este objeto ligeiramente poderoso que assinou várias leis e que ultimamente tem servido apenas pra isso (e olhe lá) diante dos filhos mais novos da datilografia – sei que ela é prenhe de coisas filosóficas e malucas que me poderiam atribuir. Sei que o que a caneta escreve não pode ser apagado senão com um daqueles corretivos brancos, que emporcalham todo o caderno e é o vilão dos professores. E, aliás, também não uso corretivo (corretivo, mata-borrão, o escambau!). Ainda que filosoficamente ou amalucadamente, diria que prefiro a inalterabilidade do traço da tinta da caneta. É isso. A velha palavra de mineiro que não tem volta.

Neste ponto dir-me-ão os psico-caligrafólogos que eu, por esta análise, sou um sujeito firme como café com farinha e mantenho-me inflexível diante de uma decisão. Estas coisas ditas no dia seguinte a uma discussão acerca de posturas pedagógicas caem muito bem. Poderão dizer: esse aí sim, é adepto da pedagogia tradicionalista. No entanto, não tem nada a ver.

Eu sou a criatura mais baderneira do mundo, no que se trata de textos. Rasuro mesmo! Pinto, repinto... É porque não posso corrigir, porque escrevo de caneta. Poderia usar borracha, se escrevesse de lápis. Mas eu prefiro caneta.

A caneta tem, por fim, essa firmeza na tinta. O grafite se desgasta com o tempo, fica difícil de enxergar. A tinta pode até sofrer esse processo, mas leva mais tempo. E na vida, entre caneta e lápis, nessa filosofia de vocês acharem que tudo pode ser filosofado, na vida usa-se caneta. Porque a vida é uma prova, e entregar uma prova escrita a lápis é arriscado. Podem alterar suas respostas...

Eu prefiro caneta.

Fernando Lago Santos - 6 de março de 2010 – 9:30hs

Prédio II da Universidade do Estado da Bahia – campus X.

De Monitor de ensino, enquanto os sofredores escrevem um texto dissertativo de auto-avaliação.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nada!

Ele estava sentado olhando pro nada, porque não tinha nada mais pra olhar naquele lugar, posto que ficava no meio do nada. É difícil de acreditar, mas em determinados momentos em que nada passa por nossa cabeça não há nada mais interessante do que o nada para contemplar. Ato filosófico. Pura e unicamente porque no nada só pode-se ver o nada. E o nada é fascinante.

Não fumava. Não comia. Não praticava ioga com os pés nas orelhas. Não mastigava um Trident de melancia nem revirava na boca uma balinha de maçã verde qualquer. Não cofiava o espaço ocupado há algumas horas por seu bigode, porque nada mais havia ali para cofiar – barbeara-se havia pouco. Não fazia nada. Só contemplava o nada. Pensando em nada e fazendo nada... E a filosofia desse ato ingenuamente sábio e completamente vazio era coisa que se encontrava apenas no nada.

Nada!

Ele olha o relógio. Passara três minutos. Um passarinho voou da cerca elétrica que estava desligada e, portanto nada causou ao corpo da ave. Um bando de periquitos silvestres e gritantes atravessou o céu avisando, pelos granares, que estavam passando. Isso já não existe em muitos lugares. E nós é que não temos nada!

Meio minuto mais! A bela moça se aproxima. O sorriso dela é no olhar. E no andar. E até mesmo no sorrir! Dá-lhe um peteleco e pergunta se não acha que está tarde demais para ele ficar ali na varanda. Dali a pouco escurecia e vinha sereno! Ele a olha com o nada restante do olhar, ora preenchido pelo reflexo da beleza da moça que poderia ser sua e diz:

“Que nada!”

Vives?


Vivo

Posso parecer que não

Quando caminho pelo mundo

Sete mesas, sete casas

Sete estender de mãos

A pedir

Todos me negam o direito

Mas vivo

De teimoso e insistente que eu sou


Tolo!

Por que teimas?

Se te querem para a morte

Nesta vida é a tua sorte

Morrer


Lutar

Minha sorte na vida é lutar

Morrer é o que querem pra mim

Mas luto

Sou viciado na teimosia

Sou viciado em dizer não

Às barbaridades que me tentam inculcar


Tu não sabes o que dizes...


(Janeiro de 2010 – Fernando Lago)